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Ser professor em Ponto Novo é...

Acordar quatro, cinco horas da manhã, engolir poeira nas estradas da zona rural e ter que sorrir para não deixar transparecer sua angústia;
Andar quilômetros a pé ou pedir carona para não ter que perder a ajuda de custo e ainda utilizar seu salário para cobrir as despesas com transporte;
Encarar a falta de material de apoio em escolas isoladas, transformando-se em um ser multifuncional para conseguir dar sua aula;
Nunca ganhar aumento salarial sem ter que ameaçar paralisação ou greve;
Lidar com parte de alunos que não querem nada com a escola, mas estão presentes na sala todos os dias, impedindo que os demais aprendam ou que o professor obtenha êxito em sua aula;
Enfrentar diretores que esquecem que também são professores e passam a tratá-los com autoritarismo e falta de bom senso;
Ser educado quando a situação praticamente o obriga a ser duro e até ignorante;
Perder parte do seu dia preparando aulas para o dia seguinte, elaborando e corrigindo provas;
Ouvir piadinhas, sofrer agressões verbais e ter que suportar para não perder a postura ética;
Não dormir o suficiente, mas levantar, tomar um banho e correr contra o tempo para chegar na escola sem atraso;
Não ter nenhum tipo de garantia que vai ter uma velhice digna, porque os prefeitos descontam dos seus salários, mas não repassam integralmente o que é devido ao Instituto de Previdência;
Ter a certeza que não é mais valorizado;
Trabalhar para se sustentar, já que por amor, são poucos que ainda conseguem, devido ao intenso sofrimento;
Adquirir doenças típicas da profissão e ter que tirar a licença prêmio para poder se recuperar, quando esta, deveria ser gozada com saúde;
Deixar seus problemas em casa, para não descontar nos alunos, e ainda assim transmitir conhecimentos;
Dormir pouco, acordar cedo, caminhar, suar, respirar, debater, discutir e ainda distribuir simpatia, cuidar do que é seu e do que não é, na tentativa de fazer um mundo melhor.

Parabéns a nós, professores, sofredores, mas que carregamos no peito a capacidade de lutar e acreditar que ainda é possível fazer a diferença.

FELIZ DIA DO PROFESSOR!

Por Josimar Ferreira
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