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Editorial: o que os olhos não vêem, a seca mostra

A imagem retrata a perda na agricultura e na pecuária em Ponto Novo. (Portal Ponto Novo)
Da Redação
Portal Ponto Novo
Por: Josimar Ferreira
Para quem achava que Ponto Novo era a menina dos olhos da Bahia, está aí a imagem que mostra o que somos de fato. Um povo sofrido, trabalhador, mas impedido de atuar em busca do pão de cada dia, por um Governo medíocre e que pouco se importa com quem morre de fome ou sede.
Ponto Novo, terra da irrigação, não passa de um jargão ultrapassado e dinamitado pelos efeitos mortais da maior estiagem da história e pelo descaso de órgãos e governante baianos.
O povo clama ação, o povo se organiza para tentar sobreviver e manter seu sustento por mais tempo, porém, o Governo o priva, o proíbe, alega que é o dono da água e faz dela o que bem entender. O povo cuida da água, mas eu sou o dono e como tal, determino as diretrizes para seu uso, deve pensar o tal superior.
Quem se comove com tais imagens? Quem vai sair do conforto do seu escritório, do seu gabinete, para vivenciar a dor e o desespero desse povo? Ah não! Não me diga que você acreditou que o senhor Jaques Wagner iria deixar de aparecer ao mundo inaugurando a Arena Fonte Nova para sentir o odor que emanava dos restos mortais das vacas que não resistiram à sede e à fome, e que foram colocados sobre a BR 407? Você achou mesmo que um carioca, que sequer sabe o que é depender exclusivamente do que se planta, do que se cria, iria dar atenção exclusiva ao clamor de um povo suado, queimado do Sol escaldante de quase 40 graus ocupando uma rodovia e parando o trânsito?
Sorte teve esse povo que ele estava ocupado demais em Salvador e sequer teve tempo de mandar a sua Tropa de Choque desocupar a Rodovia usando os métodos que lhe são tradicionais. "Secretários, vejam o que podem fazer para acabar com aquela baderna, nem que seja necessário continuar enrolando-os, afinal, ainda estamos longe do período eleitoral, e eu tenho coisas mais importantes para fazer agora", penso eu, que uma frase tipo esta, deve ter sido dita entre 4 paredes. Ou será que estou exagerando?
Ah, mas vamos ao que motivou a paralisação e os discursos:
A Barragem de Ponto Novo está com o nível de água muito baixo, porém, para o Governo, é melhor aproveitar o resto dessa água para abastecer também Senhor do Bonfim e Jaguarari (que têm mais eleitores) e tirar a única forma de sobrevivência de centenas de pessoas, que é a irrigação ou os empregos por ela gerados, afinal, elas são minoria, apesar de estarem no município que abriga a barragem. Quando esta água acabar, a gente pensa numa outra alternativa, elaborando critérios de quem salvar primeiro, claro, obedecidas as vantagens pessoais advindas da nossa boa vontade em ajudar e não deixá-los morrer de sede.
Pode-se até achar que é muito drama para pouco problema! Que tal pensar 3 meses daqui pra frente, caso não chova forte? Imaginemos então a Barragem de Ponto Novo totalmente seca, paralisação de muitos setores, inclusive educação e irrigação, demissão nos empregos privados, demissão de contratados públicos, briga por um balde de água (como no início da década passada), miséria, aumento da violência e da criminalidade provocado pela falta de condições mínimas de sobrevivência, etc., etc., etc. Ah! Lamento informar, mas daqui a pouco mais de 2 meses o mundo estará de olho na Copa das Confederações, e vocês acham que alguém do Governo Wagner vai estar preocupado com a seca em Ponto Novo e região? Nesse mesmo período a mais nova cidade a ser abastecida pela Embasa, via adutora, com as águas da Barragem de Ponto Novo (Senhor do Bonfim) estará se esbaldando, se "sfregando" e dançando muito forró no São João que decretará oficialmente o período o Grande Tormento da nossa gente. Infelizmente eles só vão acordar para isso depois do período junino, se acordarem né?
Enquanto Ponto Novo respeita a dor e o sofrimento do seu povo, evitando eventos que provoquem gastos desnecessários do dinheiro público e da tão valiosa água, nossos vizinhos e o Governador da Bahia se preocupam em aparecer, em não deixar uma tradição morrer. Talvez a indignação do povo maltratado de Ponto Novo, mostrada hoje, possa ser percebida por quem realmente se importa com eles: Deus! Esse sim, pode ter compaixão e mudar o rumo dessa história.
O perdão das dívidas dos irrigantes ou mesmo sua renegociação, a transposição das águas do Rio São Francisco para a Barragem de Ponto Novo, bem como sua ampliação e a manutenção do Projeto de Irrigação são sonhos que não deverão virar realidade tão cedo para os pontonovenses. Penso assim.
A BR 407 esteve interditada por manifestantes por mais de 3 horas. Foto: Portal Ponto Novo

A produção de bananas está comprometida pela redução no tempo de irrigação. Foto: Portal Ponto Novo
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